


A Cadeira “Mafuá” surge não apenas como uma peça isolada, mas como uma tecnologia capaz de ser aplicada de formas muito diversas. Este exemplar foi criado a partir de uma estrutura de metal de uma antiga cadeira quebrada onde uma série de sacolas de plástico e tecidos foram sendo amarrados uns aos outros e posteriormente recobriram a estrutura. Os próximos exemplares da cadeira, que estão em processo de fabricação, terão sua estrutura feita a partir da soldagem de barras de ferro de ambientes de demolição. Esse metal retorcido criará formas diferentes e espontâneas gerando produtos absolutamente diferentes entre si, tomando o acaso como parte integrante do processo não só de fabricação, mas também de criação.O nome “Mafuá” surge por causa de uma identificação minha muito grande com uma busca de identidade brasileira. A cadeira em si aborda muito a questão da brasilidade de forma conceitual.
Constituída de materiais de “segunda classe”, arranjados de forma aparentemente desordenada, cria-se um verdadeiro “mafuá” sobre uma estrutura quase invisível que consegue manter tudo unido: assemelhando-se muito à natureza brasileira. Essa estrutura invisível que a tudo une pode ser lida de muitas formas, como se tem feito ao longo dos séculos sobre esse denominador comum do brasileiro: a antropofagia, a contradição, a melancolia ou qualquer outra leitura que o observador quiser fazer. E por cima dessa estrutura única se estabelece todo esse hibridismo e sincretismo cultural que permeia a brasilidade, sendo o “Mafuá” exatamente o que nos une e o que nos define como brasileiros.
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